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| Sansão e Dalila (1609), de Rubens |
Texto Caseiro
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Atividade referente aos textos:
DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE E QUE ÉS TERRA HOMEM, E EM TERRA HÁ DE TORNAR-TE
1. No texto “desenganos da vida humana...”, o u eu lirico diz a seu interlocutor, Fábio, o que pensa sobre a vaidade, um tema que fazia parte das preocupações do homem barroco. Para explicar o que é a vaidade, ele emprega três metáforas, distribuídas nas três primeiras estrofes.
DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE E QUE ÉS TERRA HOMEM, E EM TERRA HÁ DE TORNAR-TE
1. No texto “desenganos da vida humana...”, o u eu lirico diz a seu interlocutor, Fábio, o que pensa sobre a vaidade, um tema que fazia parte das preocupações do homem barroco. Para explicar o que é a vaidade, ele emprega três metáforas, distribuídas nas três primeiras estrofes.
a) A
que é comparada a vaidade na primeira estrofe? E na segunda? E na terceira?
b) O
que há em comum entre a vaidade e cada um desses elementos?
2.
No texto “desenganos da vida humana...” , ultima
estrofe, os três elementos comparados à rosa são retomados e o eu lírico menciona o destino de cada um deles: a
penha (a pedra) aguarda a nau; o ferro
aguarda a planta; a tarde aguarda a rosa.
a) O
que a pedra, o ferro e a tarde podem provocar, respectivamente, na nau, na
planta e na rosa?
b) Portanto,
o que há em comum entre estes três elementos: nau, planta e rosa?
c) Relacione
a característica comum desses três elementos com a vaidade e conclua: Qual é a opinião do eu lírico sobre a
vaidade?
3.
os dois poemas apresentam aspectos em comum,
como , por exemplo, o tipo de composição , as imagens e o tema. Compare-os e
responda:
a) Que
tipo de composição poética foi empregado nos dois textos?
b) Os
dois poemas são ricos em imagens. Uma das imagens do texto “desenganos...”, é
criada pela metafora na nau(embarcação). Destaque do texto “Que és terra homem,
e em terra hás de torna-te”. Um verso que corresponde a essa mesma imagem.
4.
A linguagem barroca geralmente busca expressar
estados de conflito espiritual. Por isso faz uso de inversões, antíteses e
paradoxos, entre outros recursos. Identifique nos textos:
a) exemplos
de inversão quanto à estrutura sintática
b) exemplos
de antítese ou paradoxos
5.
observe estes versos do texto: “Que és terra
homem, e em terra hás de torna-te”
“Nos mares da vaidade, onde peleja,
Te põe à vista a terra, onde salvar-te.”
A visão
sobre a vaidade expressa neste texto difere da expressa do texto “desenganos...”?
justifique sua resposta.
Ques és terra homem, e em terra hás de tornar-te
Que és terra Homem, e em terra hás de tornar-te,
Te lembra hoje Deus por sua Igreja,
De pó te faz espelho, em que se veja
A vil matéria, de que quis formar-te.
Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te,
E como o teu baixel sempre fraqueja
Nos mares da vaidade,onde peleja,
Te põe à vista a terra, onde salvar-te.
Alerta, alerta pois, que o vento berra,
E se assopra a vaidade, e incha o pano,
Na proa a terra tens, amaina, e ferra.
Todo o lenho mortal, baixel humano
Se busca a salvação, tome hoje terra,
Que a terra de hoje é porto soberano.
Gregório de Matos
Desenganos da vida humana metaforicamente
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Gregório de Matos
aula - 04 de junho - Contexto Histórico
Após o Concílio de Trento, realizado entre os anos de 1545 e 1563 e que teve como consequência uma grande reformulação do Catolicismo, em resposta à Reforma protestante, a disciplina e a autoridade da Igreja de Roma foram restauradas, estabelecendo-se a divisão da cristandade entre protestantes e católicos.
Nos Estados protestantes, onde as condições sociais foram mais favoráveis à liberdade de pensamento, o racionalismo e a curiosidade científica do Renascimento continuaram a se desenvolver. Já nos Estados católicos, sobretudo na Península Ibérica, desenvolveu-se o movimento chamado Contrarreforma, que procurou reprimir todas as tentativas de manifestações culturais ou religiosas contrárias às determinações da Igreja Católica. Nesse período, a Companhia de Jesus passa a dominar quase que inteiramente o ensino, exercendo papel importantíssimo na difusão do pensamento aprovado pelo Concílio de Trento.
O clima geral era de austeridade e repressão. O Tribunal da Inquisição, que se estabelecera em Portugal para julgar casos de heresia, ameaçava cada vez mais a liberdade de pensamento. O complexo contexto sociocultural fez com que o homem tentasse conciliar a glória e os valores humanos despertados pelo Renascimento com as ideias de submissão e pequenez perante Deus e a Igreja. Ao antropocentrismo renascentista (valorização do homem) opôs-se o teocentrismo (Deus como centro de tudo), inspirado nas tradições medievais.
Essa situação contraditória resultou em um movimento artístico que expressava também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo; esse movimento recebeu o nome de Barroco. O homem se vê colocado entre o céu e a terra, consciente de sua grandeza mas atormentado pela ideia de pecado e, nesse dilema, busca a salvação de forma angustiada. Os sentimentos se exaltam, as paixões não são mais controladas pela razão, e o desejo de exprimir esses estados de alma vai se realizar por meio de antíteses, paradoxos e interrogações. Essa oscilação que leva o homem do céu ao inferno, que mostra sua dimensão carnal e espiritual, é uma das principais características da literatura barroca. Os escritores barrocos abusam do jogo de palavras (cultismo) e do jogo de ideias ou conceitos (conceptismo).
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